Em 2026, a Comissão de Valores Mobiliários publicou a Resolução nº 244, que alterou a Resolução nº 193, de 2023. Na prática, a divulgação de informações financeiras de sustentabilidade no padrão IFRS S1 e S2, que seria obrigatória para as companhias abertas, passou a ser voluntária para os exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2026.
Muita empresa recebeu a notícia como alívio. Para quem pensa a reputação no longo prazo, ela pede mais cuidado do que comemoração.
O que mudou, em resumo
Para companhias abertas, o reporte nos padrões IFRS S1 e S2 deixa de ser obrigatório.
A partir de 1º de janeiro de 2027, quem optar por não divulgar deve comunicar a decisão e os motivos ao mercado, no modelo "pratique ou explique".
Quem já divulga e decidir parar precisa comunicar a decisão com antecedência.
Estatais e sociedades de economia mista seguem obrigadas a publicar relatório integrado ou de sustentabilidade, pela Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016).
A obrigação nunca foi o principal motivo
A maior parte das empresas do agro e da indústria não é companhia aberta. Para elas, o relatório de sustentabilidade sempre foi uma escolha, e continua sendo uma das ferramentas mais completas de prestação de contas.
Quem pede esses dados não mudou: bancos e financiadores, compradores, tradings, clientes corporativos, a comunidade do entorno e o próprio time. A regra da CVM mudou; a expectativa desses públicos, não.
O "explique" também comunica
A partir de 2027, a companhia aberta que não reportar terá de explicar publicamente por quê. Essa explicação será lida por investidores, imprensa e concorrentes. Uma justificativa frágil pode passar a impressão de que a empresa não tem dados, não tem controle ou não tem o que mostrar.
Como decidir com calma
Mapeie quem pede seus dados hoje: financiadores, clientes, certificadoras, investidores.
Veja se você tem informação confiável para sustentar um relatório por vários anos seguidos. Consistência pesa mais do que volume.
Escolha o padrão pelo público. O GRI fala com todos os públicos sobre os impactos da empresa; o IFRS S1 e S2 fala com investidores sobre riscos e oportunidades financeiras. Muitas empresas usam os dois.
Trate o relatório como peça de comunicação, não como documento de gaveta. Ele alimenta site, apresentações comerciais, imprensa e comunicação interna.
A Lince é liderada por quem trabalha com relatórios de sustentabilidade no padrão GRI desde 2010. Se a sua empresa está avaliando o que fazer agora, vale uma conversa antes de decidir.
Fontes
Portal Contábeis: CVM altera regras de divulgação dos relatórios de sustentabilidade (06/07/2026)
JD Supra: CVM torna facultativa a divulgação de informações de sustentabilidade (29/05/2026)
